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pelo que eu estava com medo

Posted on março 7, 2014


[PORTUGUÊS]

No mês passado, eu sofri um pequeno acidente. Ao subir as escadas no meu prédio, eu tropecei. Como eu estava com um travessa de vidro na mão, cai por cima. A primeira coisa que pensei: “Ai, a travessa da minha mãe!”. Ainda no chão, comecei a recolher os cacos de vidro quando vi minha camisa rasgada e ensanguentada. Não foi bonito o que eu vi quando abri a minha blusa, mas pelo menos eu não estava sentindo dor. Não até levar os pontos no hospital, apesar da anestesia. Lá, na sala com o médico e a enfermeira, longe das vistas dos meus pais, eu me permiti chorar. Eu chorei pelo susto. E chorei mais ainda pela cicatriz que ganharia na parte superior da mama, uma marca num local visível. Apesar dos “poderia ter sido pior”, “poderia ter acertado sua jugular”, “poderia ter sido mais profundo” da enfermeira, eu só pensava: “poderia não ter sido comigo”. De volta em casa, precisei desabafar mais. Ao longo dos dias, eu me senti menos… mulher de alguma forma. Uma marca no rosto de um galã não tem o mesmo efeito que uma marca no corpo de uma mulher. Maldita cicatriz num mundo machista!

Meus amigos me visitaram, ligaram, oraram e me enviaram mensagem. Um amor comovente e inesperado. Um amor que fez com que eu me auto reafirmasse e focasse no que era importante. Um retorno a essência. Então, as frases da enfermeira fizeram mais sentido. Então, as histórias de verdadeiras e grandes superações me fizeram perceber a pequenez do meu problema. Perguntaram-me se dali em diante eu usaria blusas fechadas. Não, eu não tenho essa intenção.

Assim, para o dia internacional das mulheres, proponho que cada uma de nossas marcas (aparentes ou não, permanentes ou temporárias) sejam respeitadas, principalmente por nós mesmas, pois elas contam uma vivência, contam as coisas que aprendemos, contam o que superamos, isto é, contam a nossa história. Uma história que nos torna não só mais mulheres mas, sobretudo, mais humanas e reais. Feliz dia!

ps: na foto acima, eu ainda estava com os pontos. A cicatriz não ficará imperceptível ao longo do tempo. Tive uma reação alérgica ao antibiótico, mas já estou melhor e com futuros posts em mente. Como cantaria Helen Reddy: “I’m strong, I’m invincible, I’m woman”.

[ENGLISH]

Last month, I suffered a small accident. Climbing the stairs in my building, I stumbled. As I was holding a glass pyrex on my hands, I fell upon it. The first thing I thought: “Oh, the pyrex of my mother!”. Still on the ground, I began to collect the shards of glass when I saw my torn and bloody shirt. It wasn’t pretty what I saw when I opened my shirt, but at least I wasn’t in pain. Not until to take seven points on my left breast in the hospital, despite the anesthetic. There, in the room with the doctor and the nurse, out of sight of my parents, I allowed myself to cry. I cried because of the scared moment. And I cried even more because of the new scar that I gained, an scar on a visible place. Despite the nurse’s sentences such as “could have been worse”, “the shards could have hurted your neck”, “could have been deeper”, I just thought : “could have been not with me”. Back home, I needed to vent more. Throughout the days, I felt less… woman in some way. A mark on the face of a heartthrob is not the like a mark on the body of a woman. Damn scar in a sexist world!

My friends visited me, called me, prayed and sent me messages. A moving and unexpected love. A love that allowed me reaffirm myself and made me focus on what was important. A return to the essence. Then, the nurse’s sentences made ​​more sense. Then, the real and inspirational stories about overcoming challenges made ​​me realize the smallness of my problem. I was asked if henceforth I would wear closed shirts. No, I have no such intention.

So, to the International Women’s Day, I propose that each one of our marks (apparent or not, permanent or not), our “imperfections” be respected, specially for us, because they tell what we’ve learned, they tell what we have experienced, what we have overcomed, or better, they tell our history. A history that makes us not only more women but, above all, more human and real. Happy Day!

ps: in the photo above, I still was with points. The scar wont be imperceptible over the time. I had an alergic reaction to the antibiotic, but I’m better and prepairing some posts. As Helen Reddy would sing: “I’m strong, I’m invincible, I’m woman!”.
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In Time to Say

Posted on janeiro 14, 2014

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[POR] Obrigada, muito obrigada a todos por cada palavra, cada sentimento, cada “like”. Obrigada pela amizade. Obrigada por se lembrarem de mim, mesmo quando eu esqueço que tenho um blog. Já demonstrei diversas vezes que assiduidade não é o meu forte, mas quero que saibam que meu sentimento é constante e verdadeiro.
[ING] Thank you all for every word, every feeling, every “like”. Thanks for the friendship. Thanks for remembering me, even when I forget that I have a blog. I have shown many times that I am not diligent with my posts, but I want you to know that my feeling is constant and truthful.

Inté, Cri.

Grounded

Posted on outubro 4, 2013

 
 
 
 
 
 

The artist Kathy Ruttenberg seems to see beyond the objects, the people and the human behavior. It’s the unreal more consistent and true of our natures, rational or irrational. The mythical merges with the human to deal with serious social questions. She tries to find traces of humanity in the absurd that is hidden within each one. Oppression, sexuality, submission, infertility, among others, issues are embedded in a kind of fairy tales for more. Greek mythology gods and goddesses, animals, mother earth, human anatomy merge in the ceramics and lead the viewer to the reflection, a profound reflection.

For more Kathy Ruttenberg’ art, click here.
For the full critique of “The Earth exhales: New Ceramic Sculptures” from Kathy Ruttenberg by Donald Kuspit, click here.


TRADUÇÃO DA CITAÇÃO ACIMA: Mulheres cuidaram da terra, e se identificaram com ela, enquanto os homens a atacaram e arruinaram, em uma declaração de poder duvidosamente heróica – simbolicamente o poder sobre as mulheres. (…) Ruttenberg vê mulheres do ponto de vista do desejo feminino frustrado.

A artista Kathy Ruttenberg parece ver além dos objetos, além das pessoas, além do comportamento humano. É o irreal mais verdadeiro de nossas naturezas, racional ou irracional. O mítico se funde com o humano para tratar de questões sociais sérias. “Encontrar traços de humanidade no absurdo que está escondido dentro de cada um”, é o que ela assume fazer. Opressão, sexualidade, submissão, infertilidade, dentre outras, são questões embutidas em uma espécie de contos de fadas para maiores. Deuses da mitologia grega, animais, a mãe terra, a anatomia humana se fundem na cerâmica e conduzem o espectador à reflexão, uma profunda reflexão.

Para conhecer mais esculturas de Kathy Ruttenberg, clique here.
Para a crítica completa de “A terra exala: novas esculturas de cerâmica” de Kathy Ruttenberg por Donald Kuspit, clique here.
Para ver o artigo de Obvious (em português) sobre o trabalho da escultora, clique aqui.

Bazar Noir – Edição Cinema

Posted on julho 18, 2013

[PORTUGUÊS]

Sabem quando acontece algo e você nem sabe o motivo? Pois é, aconteceu comigo… mais uma vez! Há algum tempo conheci a Taisa no curso preparatório para a Promotoria Pública. Juntamente com a sua filha, ela montou uma loja online excepcional chamada Hell Yeah Store, que vende roupas e acessórios com uma pegada mais rocker. Essas duas fofas me chamaram para desfilar, representando a loja, no Bazar Noir. Iupi!

O que é o Bazar Noir? É um evento que concentra grifes voltadas para a moda alternativa. Com desfiles, shows de bandas underground, DJ’s que tocam músicas interessantes, o Bazar Noir existe há mais de seis anos. E a cada edição deste evento, um tema é escolhido. O Bazar noir que aconteceu no domingo passado, dia 14/07, foi CINEMA! Lá, uma coisa interessante aconteceu. Vejam se vocês sentem o mesmo que senti.

O primeiro estande que vi foi o do Marcos e do Pedro, idealizadores da loja Portal Ink, através da qual vendem seus artigos de decoração que são extremamente divertidos. Alguns itens tem um apelo clássico, vintage até, mas sem perder a esse lado descontraído. Quando eu perguntei ao Marco se eles eram designer, pintores, artistas… ele me respondeu: “temos boa vontade!” – “E que boa vontade!”, emendei. Mas, adivinhem o que estes moços fazem fora dali? PÃES! Sim, eles são artistas e padeiros que fazem pães finos e exóticos na boutique de pães chamada Panarium!

Já no estande mais a frente, encontrei o Gustavo, codinome ‘gente boa’, ilustrador… de quadrinhos! E que agora aplica todo o talento dele nas estampas das camisas masculinas que vende através de sua loja Rabisco Art-Shirt (gostei do nome!) . E naquele canto direito do palco, ele não estava só! Ao lado, podíamos ver as lindas roupas da estilista Mayuri, uma fofa que fez algumas tatuagens radicais para não ser somente a fofa May da loja A-Mey. Ela elogiou o meu outfit… SIM, ELA É FOFA!

No andar de cima, eu encontrei a Soul, lindo nome da loja que projeta há 1 ano e meio o trabalho de Flávio Capote com seus discos de vinil – derretidos e transformados em outros objetos.

E, se no Bazar Noir encontramos artistas que transformam objetos, também encontramos objetos que transformam as pessoas em artista. É o caso do Eduardo, um ex estudante de psicologia, que deixou a faculdade no nono período para se dedicar a encadernação. Sim, encadernação! Você pode culpar a talentosa ilustradora Moana – ou não! Num belo dia, Eduardo pegou um livro antigo de Moana e melhorou a aparência da capa. E foi ali que ele sentiu aquele estalo do “eu podia estar fazendo isto”. Hoje, Eduardo encaderna os desenhos da  Moana e aí temos lindos caderninhos da maravilhosa loja Jasmim Manga. Quando o Eduardo contou a história dele, meus amigos e eu batemos palmas e meu coração se encheu de inspiração. Perai, vou repetir: Eduardo cursou nove dos dez períodos da faculdade de psicologia, mas deixou a vida de dentro de um consultório que o aguardava para transformar papel em arte! Meu herói!

E quem diria que o Bazar Noir me apresentaria outros heróis? Na verdade, heroínas: Raquel, Taisa, Maira e Fernanda, professoras e restauradoras que se conheceram através da obra de restauração do Tribunal Superior Eleitoral. Dali, surgiu uma amizade artística nomeada Amora, a maravilhosa loja dessas quatro super mulheres, que ainda mantém os seus trabalhos de dia e de noite são encadernadoras, artesãs… artistas.

E se eu ainda dissesse que encontrei 3 biólogos por lá? Não só, três mestrandos em Biologia que extravasam suas ideias na ilustração. A Alicia tem a sua loja chamada Graciosa há três anos. A Jéssica e o Fernando são donos da Grão, Estampas Ecológicas. Ok, tive que perguntar se eles se consideravam biólogos ou ilustradores/designers e eles me responderam que gostam de ambos! Se não fosse o conhecimento em biologia, eles não teriam as idéias para desenhar as estampas. Sinceramente, eu nunca parei para pensar na associação de Biologia com Moda ou qualquer outra área artística, mas eles sim. E as estampas voltadas para a preservação ambiental provam que isto é possível!

Acho que estou extasiada pelas conversas que tive, mas não vou prolongar mais. Termino o relato da minha gostosa aventura com a frase de Claudia, da loja Lilica Bolsas, sobre a sua companheira Josephyna – uma caveira: “Ela é o símbolo de igualdade”. Vislumbrando a resposta, perguntei o porquê à Claudia e ela me respondeu: porque todos nós viraremos uma, não importa a cor, raça, religião…

Mas que experiência!


[ENGLISH]

In some moment, something happens and we don’t know the reason. Yeah, I had this moment… once again! Sometime ago, I met Taisa, my fellow student in the preparatory course to the public prosecutor career. Time after, along with her ​​daughter, she set up an exceptional online store called Hell Yeah Store to sell clothing and accessories with a super cool rocker style. These two girls called me to parade, representing their store in the ‘Bazar Noir’. Yay!

What is the Bazar Noir? It is an event focused in brands aimed at the alternative fashion. With fashion shows, concerts with underground bands, djs who play interesting music, the Bazar Noir exists for more than six years. And in every edition of this event, a theme is chosen. The Bazar Noir’s theme of the last Sunday was CINEMA! There, an interesting thing happened. I hope you can feel the same positive energy that I felt.

The first booth that I saw was the Marcos and Peter’s booth, Portal InK Store creators. Through this store, they sell their home furnishings that are extremely entertaining. Some items have a classic appeal, even vintage, but never losing the funny side. When I asked Marco if they were designer or painters or artists, he answered me: “we have goodwill!” – “And what a good will!”, I replied. But, would you be able to guess what these kids do for a living? BREADS! Yes, they are artists and bakers who cook fine and exotic breads in a bread boutique called Panarium!

In the booth ahead, I met Gustavo, codenamed ‘good people’, a comic illustrator, who used to work for other people, but now he applies all his talent in the prints of the men’s shirts that sell through your store  Rabisco Art-Shirt. And at the right corner of the stage, he was not alone! Beside, we could see the beautiful clothes of the stylist Mayuri, a sweet girl who made some radicals tattoos because she didn’t want to be just the sweet May from the A-Mey. She complimented my outfit… YES, SWEET!

Upstairs, I found the Soul, touching name of a shop owned by Flavio Capote, who designs for 1 year and a half  his work with vinyl discs – melted and transformed into other objects.

And, if in the Bazar Noir we find artists who transform objects, we also find objects that turn people into artist. It is the case of Eduardo, a former psychology student who left the college in the ninth semester (of ten semesters) to devote to bookbinding. Yes, bookbinding! You can blame the talented illustrator Moana – or not! On a fine day, Eduardo took a Moana’s old book and fixed the cover. And it was there that he thought he could be doing this professionally. Today, Eduardo binds the illustrations of Moana and there we have the beautiful notebooks from the wonderful Jasmim Manga Atelier. When Edward told his story, my friends and I clapped and my heart was filled with inspiration. Well, I will repeat: Eduardo attended nine of the ten periods of the psychology course, but left the future life inside an office to become a bookbinder, turning paper into art! My hero!

And who knew the Bazaar Noir would introduce me other heroes? Actually, heroines: Rachel, Taisa, Maira and Fernanda, teachers and restorers who met through the restoration of the Electoral Court’s building, a work that worked together. Therefrom arose an artistic relationship named Amora, the wonderful store of these four super women, who still maintains their work during the day and at night they are bookbinders, artisans… artists.

And what if I said that I met three biologists there? Not only, I met three biology master students who spill their ideas in the illustration. Alicia has a shop called Graciosa, since three years ago. Jessica and Fernando are owners of Grão, Estampas Ecológicas. Ok, I had to ask if they considered themselves biologists or illustrators/designers and they answered me they like both, because without their knowledge in biology, they wouldn’t have the ideas to draw the prints. Honestly, I never stopped to think about the combination of biology with fashion or any other artistic area, but they did! And the prints that aim at environmental preservation prove that this is possible!

I think I’m entranced by the conversations I had, but I will not prolong this text anymore. I finish the story of my adventure with the thoughtful phrase proclamed by Claudia from the Lilica Bolsas about her partner Josephyna, the skull: “She is the symbol of equality.” Glimpsing the answer, I asked why and she answered me the following: because we all will turn one, don’t matter the color, race, religion…

What an experience!

HELL YEAH STORE – fotos de HYS e Jota Zeferino

PORTAL INK

A-MEY & RABISCO ART-SHIRT

SOUL

JASMIM MANGA

AMORA

GRÃO, ESTAMPAS ECOLÓGIAS & GRACIOSA

LILICA BOLSAS


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Cri.