[POR] Ao esperar pela possibilidade de ter acesso ao raríssimo livro Jazz de Henri Matisse (aqui, no Rio de Janeiro, somente o Museu da Chácara do Céu possui, além de uma cópia na Polícia Federal a espera de seu dono), atrasei – e muito – a publicação desta entrevista com o designer responsável pela marca R. Groove, Rique Gonçalves. Como vocês poderão ver, Rique tem uma relação muito estreita com a música, qualidade que foi somada a marca. Podemos dizer que, neste caso, a arte chamou mais arte. Confiram a entrevista a seguir:


[ING] While waiting for the possibility of having access to the rare book Jazz by Henri Matisse (here, in Rio de Janeiro, only the Chácara do Céu Museum have an edition), I postergate – so much – this interview with the responsible for brand R. Groove, the designer Rique Gonçalves. As you’ll be able to see, he has a very close relationship with the music, a quality that was added in his brand. We can say that, in this case, art has atracted more art. Good to us! Check out the interview below:

 
[PORTUGUÊS]

IpMDC: O Henri [Matisse] era um artista completo, além de pintor ele fazia diversas outras coisas e participou de vários movimentos [artísticos], por que você o escolheu? Como nasceu o teu interesse?

Rique Gonçalves: Na verdade, a gente começou com a Arte Moderna e aí começamos a fazer as estampas com recortes. Eram recortes de fragmentos que eu ia escaneando, ia pintando, pincelando,ia montando esses gráficos. Então, acabou que o Matisse foi minha principal escolha até mesmo pela cartela de cores, que tinha esse azul intenso que era uma coisa que eu queria trabalhar. E, enfim, eu escolhi o Matisse mesmo até pela complexidade dele e por ele trabalhar muito presente na música. Então, como ele trabalhou muito forte na música, com Jazz, com artista de jazz, eu achei que ele era esse cara que a gente buscava. E a figura dele é intrigante: como que um cara tão sensível pode…

 

IpMDC: Então casou bem com o DNA da Marca! Para você, o que tem sempre que vir no ápice do DNA da sua marca?

RG: Alfaiataria antiga, mas repaginada… contemporânea.

 

IpMDC: O público seria, então, um público jovem?

RG: Acredito que sim! Na verdade, não existe mais faixa etária, o que existe hoje em dia é estilo de vida. O cara de 50, o cara de 60… É claro que você tem na sua estatística de clientes uma estatística de consumidores, mas não existe mais… Hoje em dia se forma estilo de vida mesmo. Mas é um estilo de vida jovem!

 

IpMDC: Uma última pergunta [mentira!], para aqueles que dividem, separam Moda da Arte, qual seria o seu recado?

RG: É bacana também não separar! É bacana você, de vez em quando, apresentar algo inusitado que vem da vontade pessoal mesmo e cause um sentimento, que é a História da Arte né? Causar um sentimento e não ser só funcional como designer.

 

IpMDC: Você se considera um artista no momento da tua criação, no momento em que você está desenvolvendo, se inspirando?

RG: Não, não me considero. Eu me considero um cara que consegue decodificar muitas informações de uma forma nova, de uma forma bacana. Mas um artista não, eu não tenho essa pretensão.

 

IpMDC: Você ainda pretende continuar se inspirando em outros artistas nas próximas coleções?

RG: Com certeza! A coisa da Arte também flui com a história do Jazz  até por conta de eu tocar guitarra. Também tem essa coisa do instrumento, que, pra mim, é uma das maiores artes… Que é a coisa do Groove, que vem até no nome, no DNA da marca.

 

 
[ENGLISH]

IpMDC: The Henri [Matisse] was a complete artist, besides being a painter, he did many other things and participated in several [artistic] movements, why did you pick him out?

Rique Gonçalves: Actually, we started with the Modern Art. And then we started to create prints with cutouts. I was scanning, I was painting, brushing, I was assembling the graphs from those clippings. So, it turned out Matisse was my main choice, even because of the color pallete with the intense blue, a color that I wanted to work with. And finally, I picked Matisse up for his complexity and for his great work with the music. Then, as he worked very strong with Jazz, with jazz artists, I thought it was the person that we sought. And his figure is intriguing: how such a sensitive person can…

 

IpMDC: Then it matched well with the DNA’s brand! For you, what have to come at the apex of the DNA of your brand?

RG: Old tailoring, but remodeled… contemporary.

 

IpMDC: So, would your target audience be young?

RG: I think so! In fact, there is no more age group, which exists today is lifestyle… The 50 years old’ guy, the 60’s years old guy… Of course we have on our customers a statistic, but nowadays it’s about lifestyle. Anyway, a young lifestyle!

 

IpMDC: One last question [lie!], for those that separate Fashion from Art, what would be your message?

RG: It’s nice don’t separate! It’s cool if you, from time to time, provide something unusual coming from a personal desire and causing a feeling, which is the History of Art, right? Provoke a feeling and don’t be just functional as a designer.

 

IpMDC: Do you consider yourself an artist at the time of your creation, when you are developing, drawing your collection?

RG: No, I don’t. I consider myself a guy that can decode a lot of information in a new way, in a nice way. But not an artist, I don’t have this pretention.

 

IpMDC: Do you have intention in taking inspiration from other artists in upcoming collections?

RG: For sure! The Art also flows with the Jazz even because I play guitar. Also it has this thing about the instrument, which, to me, is one of the largest arts… That’s the Groove’s stuff, which is in the name and the DNA of the brand.

 

We got to Groove!

Cri.