Quando os primeiros carmelitas chegaram à França das Cruzadas na Palestina, a Terra Santa, vestiam capas com listras horizontais em marrom e branco. Isto gerou uma preocupação exagerada e, inclusive, denúncias no Ocidente. Os carmelitas foram reputados como os irmão barrados. A explicação para o fato seria que, na era medieval, as pessoas eram habituadas a ver todas as coisas estritamente por uma sucessão de relações entre segundo plano e primeiro plano: para se compreender a figura em primeiro plano, primeiro distinguiam claramente o segundo plano. Como as listras disturbavam esta ordem comum ao olho medieval, já que o segundo plano não podia ser distinguido com um primeiro plano desordenado, as pessoas tendiam a refuta-las. Endossando o repúdio ao tecido listrado, ainda se tinha a interpretação bíblica de Levítico 19:19

Não usem roupas feitas com dois tipos de tecido.

Assim, após praticamente 50 anos a Ordem Carmelita foi forçada a aceitar uma cor sólida, já que o Papa Bonifácio VIII proibiu as listras em todo o vestuário religioso. Vestir listras se tornou um ato tão transgressor ao ponto de, segundo relato, uma pessoa, supostamente membro local do clero, ter sido morto após ser encontrado com roupas listradas. Definitivamente, nos séculos XIII e XIV as listras forma condenadas. Eram associadas as coisas pejorativas. Eram um sinal de exclusão, aberração, algo a ser evitado. Logo, os tecidos listrados foram relegados as prostitutas sociais, palhaços da renascença, malabaristas, leprosos, carrascos, árbitros… pessoas em que não se podia confiar ( árbitros… hahah). Até os animais listrados eram alvo, pois considerados como cruéis, não naturais, aberrações da natureza. Em pinturas medievais, o próprio diabo é frequentemente retratado vestindo listras. O Ocidente há muito tempo continuou a vestir os seus escravos e servos, seus tripulantes e condenados em listras. Por outro lado, a partir do século XVIII, as listras assumiram conotações boas. Começaram a ser vestidas em roupas íntimas e roupas de dormir. Foram usadas para o ideal revolucionário francês, sendo traduzidas nas cores azul, vermelho e branco. E que não se esqueça da bandeira dos Estados Unidos! Foram eternizadas em uniformes militares (até mesmo a listra única no lado externo das calças). Tornaram-se símbolo de elegância com Coco Chanel. Foram vestidas pelos rebeldes dos anos 60. Foram usadas por hipsters, assim como usadas por gangster nos cinemas. Reinventadas por Marc Jacobs e Gucci. Símbolo de bom gosto e status quando usadas por banqueiros. Enfim, acho que não serei condenada por vestir a minha calça listrada no estilo Besouro Suco…. Ops, the devil really wears stripes! LIVRO – O Pano do Diabo – Uma história das listras e dos tecidos listrados por Michel Pastoureau


When the first Carmelites arrived in France from the Crusades in Palestine, the Holy Land, they were wearing brown and white horizontal striped cloaks. This promoted a fuss and denunciations in the West. The Carmelites were reputed as barred brothers. Peharps, this can be explained by the fact that, in the middle age, the persons were accustomed to see all things strictly by a succession of background-foreground relationship: to understand the figure in the foreground, firstly the background should be clearly distinguished. As stripes disturbed this conventional order to the medieval eye, since the background couldn’t be distinguished with a cluttered foreground, people tended to refute them. Endorsing the repudiation of the striped pattern, there was the biblical interpretation of the 19th chapter of Leviticus:

One shall not wear a garment made of two

Thus, after almost 50 years the Carmelite Order was forced to accept a solid color, once Pope Boniface VIII forbade stripes across the religious clothing. Wear stripes became a so transgressive act that, according a report, a person, supposedly local member of the clergy, was killed after being caught in striped clothes.
Definitely in the thirteenth and fourteenth centuries, stripes were a scandalous thing, also associated to pejorative things, they were a sign of exclusion, aberration, something to be avoided. Soon, the striped pattern was relegated to social prostitutes, clowns, jugglers, slaves, servants, crewmen, lepers, executioners, convicts, referees… untrusted people. Even striped animals were target, considered as cruel, unnatural, nature freaks. In medieval paintings, the devil himself is often depicted wearing stripes.
On the other hand, from the eighteenth century, the stripes began to gain good connotations: were dressed in underwear and sleepwear; were used to the french revolutionary ideal, being translated in the colors blue, red and white (and may we do not forget the flag of the United States!); were immortalized in military uniforms (even the single stripe on the side of the pants); had became a symbol of elegance with Coco Chanel; were worn by the rebels in the 60′s; were worn by hipsters and also by gangsters on cinema; were reinvented by Marc Jacobs and Gucci; were symbol of good sense of style and status in suits worn by bankers and so on. Anyway, I think I will not be condemned to wear my striped pants in the Beetle Juice’s style…. Oops, Beetle Juice… the devil really wears stripes!

BOOK – The Devil’s Cloth: A History of Stripes by Michel Pastoureau

I was wearing: Trouser: courtesy of Sheinside (similar model here and here) Shirt: courtesy of Sheinside (click here) Bag: Prada Pumps: Cezanne Blazer: Casual Street Stole: C&A