[POR] Poderia um roqueiro vestir roupa clara, em algum momento de sua vida? Como seria vista a hippie ao sair da Roccobarocco com a sua linda bolsa baú? E se as belas madeixas crespas do black power de uma menina aparecessem alisadas numa festa? Anna deixaria de ser Dello Russo se vestisse somente uma calça e uma camisa básicas? Você aí precisa de algum elemento para te definir como quem você é ou para definir a tua raça?

Rumo ao Tribunal, assistindo a multidão movimentada como se fosse um filme alheio a mim, comecei a indagar até que ponto deveríamos ser “fiéis” ao nosso estilo. Fidelidade? Realmente? Hum. . . Acho que fidelidade seria uma palavra extrema se usada para nos limitar dentro de um universo de estilos variados. Por que nos restringir o direito de experimentar, o direito de descobrir quem realmente somos, o que queremos dizer para a sociedade e para nós mesmos? Ficamos tão carentes de aceitação do ‘eu’ que projetamos para a sociedade que o nosso real ‘eu’, aquele que é mutável, acaba tendo o seu amadurecimento cerceado! E é aí que o nosso estilo permanece num estado infantil e inseguro. Somente a segurança que advém da maturidade daquele que ousou provar dos antagonismos propostos pela vida é capaz de fazer reconhecer, com toda a certeza interior, aquilo que faz bem, aquilo se gosta, aquela roupa que combina melhor com o tipo de corpo e de pele. Então, qual o motivo desse contentamento com a mesmice, desse acomodamento com o padrão mediano, desse temor em dar um passo em direção ao novo?  Ainda não entendo bem, mas está relacionado ao famoso senso de pertencimento ao cool group daquela inesquecível sala cheia de coisas, ainda que isto implique em auto anulação. Enfim, o ‘eu’ que acreditei ser está amadurecendo e pode colidir com  conceitos predefinidos que talvez não serviriam para conceituar Cristiane, a advogada afro brasileira. Contudo, desta fase de amadurecimento eu não vou fugir. Quero me permitir, e você?

[ING] Could a rocker wear clear clothing, sometime in his life? How would a hippie be seen coming out of the Roccobarocco store with her lovely handbag? And if the pretty curly hair of black power of a girl appeared smoothed at a party? Would Anna cease to be Dello Russo if she wore just a basic jeans and a shirt? Hey you, do you need some element to define you as who you are or set your race?

In the way to the court, watching the bustling crowd like a remote movie, I began to wonder how far we should be “faithful” to our style. Fidelity? Really? Hum. . . I think fidelity could be a extreme word if used to limit ourselves in a universe of varied styles. Why do we restrict our right to experience, our right to find out who we really are, what we mean to society and to ourselves? We are so lacking in acceptance of the ‘me’ that we project to society that our true ‘me’, , one that is changeable, ends up having their growth curtailed! And that’s where our style remains in a child and insecure state. Only the security that comes from the maturity of those who dared to prove the antagonisms offered by the life is capable of recognizing, inner certainty, what it goes well, what they like, what outfit best fits to their body type and skin. So, why this contentment with the sameness, this complacency with the average standard, this fear in taking a step toward the new? I still don’t quite understand, but is related to the famous sense of belonging to the cool group from that unforgettable room with a pile of stuff (The Devil Wears Prada), even if it means a self cancellation. Anyway, the ‘me’that I believed to be is maturing and may collide with several predefined concepts that may not serve to define Cristiane, the afro brazilian lawyer. However, I wont flee from this phase of maturity. I want to allow myself to experience, what about you?

♣ EU VESTI / I WORE:  second hand Blazer (similar model hereherehere, here); C&A Shorts (similar here); Cezanne Shoes; Cyro Eloy Handbag; Forum for Elle Magazine Scarf.

♣ CANÇÃO / SONG: Are You Experienced – Jimmi Hendrix

♣ LOCAL / PLACE: Centro do Rio de Janeiro (RJ).

 
– Cri.