[PORTUGUÊS]

A propaganda é a alma do negócio. Recentemente todos nós fomos convidados a encontrar Fernanda, o amor perdido de Daniel. Um vídeo simples, uma história envolvente, mas que pode custar milhões a Nokia por eventualmente se tratar de uma campanha publicitária. Por que? Porque segundo a legislação do consumidor, uma publicidade deve ser identificada como tal desde o início para que o consumidor, bicho besta que não sabe identificar o que é uma, possa saber a diferença. Aliás, toda esta confusão seria por que a princípio se trata de uma publicidade e não só de uma propaganda? Qual é a diferença entre propaganda e publicidade? Segundo especialistas no assunto, propagando é o ato de propagar uma idéia, divulgar conceitos e valores; já uma publicidade tem o mesmo objetivo da propaganda com um adicional: o fim lucrativo por parte do anunciante. Então, teria a Nokia enganado seus consumidores, envolvendo-os numa campanha publicitária, com o intuito de vender o seu novo modelo de telefone? Minha opinião? Eu queria muito ser a mente que lançou esta idéia,  porque foi capaz de envolver de tal forma as pessoas, que elas começaram a se mobilizar através das redes sociais a apoiar Daniel na sua romântica busca. Nossa! Será que somos inocentes a este ponto? Será mesmo que somos carentes de um pouco de romantismo nos dias de hoje? Será que estou errada ao pensar que isto tudo é uma bobagem? Será que eu deveria me sentir usada na qualidade de consumidora tecnicamente hipossuficiente? Talvez. Vejam bem, o caso aqui vai muito além do que só uma história de alguém que perdeu a “garota de seus sonhos” numa balada e chega na seguinte questão: até que ponto se pode tentar comover o consumidor para vender determinado produto? Até onde vai a liberdade publicitária?

Sabemos que os limites não são estreitos, basta acordarmos de manhã, pegarmos o nosso café, irmos ao jornaleiro e uau! Preparem-se para o ataque de imagens que te dizem o que fazer sem proferir uma só palavra. Sim, meus caros, no campo da moda, mais do que nunca, podemos perceber que uma única imagem vale mais do que mil palavras. Uma única imagem pode te levar a anorexia/bulimia/drunkorexia, pode te fazer gastar o dinheiro que você não tem, pode te fazer sonhar, pode te dar idéias, pode traçar seus ideais. Legalmente falando, temos artigos do CDC (Código de Defesa do Consumidor) que ditam algumas diretrizes a serem seguidas para se obter uma publicidade E propaganda conforme a lei, dentre elas a clareza e a veracidade da informação. Contudo, atribuir a culpa aos malvados conglomerados econômicos que vendem aquela idéia, seja ela legal ou não, é demais! Até mesmo porque tal influência só é exercida se permitimos!

Isto me leva a outro assunto: quando um blog é transformado em um negócio, qual a melhor conduta a ser tomada pela blogueira? Eu já li diversas coisas, inclusive sobre o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) investigando determinadas blogueiras sobre o chamado mensalão da moda. Mas, sinceramente não foi somente isto que me chamou a atenção. Uma vez, navegando despretensiosamente pela blogosfera, encontrei uma blogueira de moda repudiando quem faziam publicidade de um produto através do blog. Comecei a pensar sobre o assunto… Well, well, well, todo mês as minhas contas batem na porta e gritam: “pague-nos, estúpida”! Então, submeto-me a acordar cedo, ir trabalhar e chegar em casa tarde! À noite, depois de cumprir com as minhas demais obrigações, quando tento escrever um post, cochilo antes de terminar a primeira linha. Logo, seria tão ruim assim unir o que eu amo fazer (Eu sou tímida! Sim, eu sou! Mas quão bom é sair com minha mãe e fazer umas fotos num lugar legal e depois estudar um assunto e escrever, escrever e escrever!) e satisfazer as minhas contas, pagando-as? Acho que não! Acho que vou me limitar a dizer somente isto:

Honestidade é uma palavra que deve ser praticada e aplicada em todas as situações, principalmente as situações públicas. Mas de alguma forma nós a perdemos. Usar algo pessoal, como um diário eletrônico (um blog), objetivando influenciar a opinião de demais pessoas em relação a algum serviço ou produto faz com que o “eu faço o que eu quero no meu blog” virar “eu respeito o direito de quem tem a consideração de visitar o meu trabalho”. O meu direito como blogueira que faz publicidade termina onde começa o direito daquele que lê o que eu escrevo. Devo ter um comprometimento mínimo com a verossimilhança e deixar clara a minha intenção. Primeiro, se eu estiver recebendo algo em função da dica do produto, isto é publicidade e deve ser dito. É lei! Segundo, se a minha dica for realmente o que penso sobre aquele produto. É moral! É ético! É uma forma de amor para com o leitor. E isto não podemos perder.

 

♣ EU VESTI / I WORE: Shorts: C&A (similar here); Shirt: Tessera; Blazer: Handmade (similar here); Shoes: Santa Lolla (similar here); Hat: Shop 126 (similar here); Purse & Headband: Zara.

 CANÇÃO / SONG: Pastime Paradise – Stevie Wonder

♣ LOCAL / PLACE: Arcos da Lapa (Aqueduto da Carioca), Rio de Janeiro.

[ENGLISH]

The propaganda is the lifeblood of the business. Recently, in Brazil, we were all invited to look for Fernanda, the lost love of Daniel. A simple video with a engaging story, but that can cost millions to the Nokia because it is, eventually, an advertising campaign. Why? Because under the consumer’s law, an advertising should be identified as such from the beginning to the consumer, poor beast who can not identify what is one, can know the difference. Incidentally, would this whole mess be because it is an advertising and don’t just a propaganda? What is the difference between propaganda and publicity? According to experts, propaganda is the act of propagate an idea, disseminate concepts and values​​; the advertising has the same goal with an additional: the profit by the advertiser. So, would Nokia have deceived the customers by involving them in an advertising campaign, aiming to sell its new mobile model? My opinion? I really wanted to be the mind which launched this idea, because it was able to involve such people so much that they began to mobilize through the social networks to support Daniel in his romantic quest. Whoa! Are we innocent at this point? Could it be that we are lacking a bit of romance in these days? Am I wrong in thinking that this is all nonsense? Should I feel used as a technically hipossuficiente consumer? Maybe. Look, the case here goes far beyond than just a story of someone who lost the “girl of his dreams” in a party and arrives in the following question: to what extent someone can try to move the consumer to sell a product? How far goes the freedom in the publicity?

We know that the limits are not narrow. We have just to wake up in the morning, take our coffee, go to the newsstand and wow! Prepare yourselves for the onslaught of images that tell you what to do without uttering a word. Yes, my dear, in the fashion field, more than ever, we realize that a single picture is worth a thousand words. A single image can take you to anorexia/bulimia/drunkorexia, can make you spend the money you do not have, can make you dream, can give you ideas, can trace your ideals. Legally speaking, we (in Brazil) have articles from the CDC (Consumer Protection Code) that dictate some guidelines to obtain an propaganda and advertising under the law, among them the clarity and veracity of the information. However, the blame the bad economic conglomerates for selling that idea, whether legal or not, it’s too much! Even because such influence is only exercised if we allow it!

This leads me to another issue: when a blog is turned into a business, what is the best approach to be taken by the blogger? I’ve read several things, including about the CONAR (National Council for Advertising Self-Regulation) that it is investigating some fashion bloggers. But, honestly, this was not the only thing that caught my attention. Once, when I was unpretentiously browsing through the blogosphere, I found a fashion blogger repudiating who were advertising a product through the blog. I started thinking about it… Well, well, well, every month my bills are knocking on the door and shouting: “pay us, stupid!” So, I submit myself to wake up early, go to my work and get home late! At night, after complying with my other obligations, when I try to write a post, I nap before finishing the first line. So, it wouldn’t be that bad if I was able to join what I love to do (I’m an ashamed person! Yes, I am! But how good is to come out with my mom, take some photos in a cool place to after study a subject and write, write and write!) with the possibility to satisfy my bills, paying them? Not at all! I think I’ll limit myself to just say this:

Honesty is a word that must be practiced and applied in all situations, especially public situations. But somehow we have lost it. Use something personal, like an electronic diary (a blog), to influence the opinion of others in relation to any service or product makes the “I do what I want on my blog” to turn in “I respect the right of anyone who visits my work on my blog”. My right as a advertiser blogger ends where it begins the right from who reads what I write. I must have a minimum commitment to the verisimilitude and make my intention clear. How? First, if I’m getting something because I’m giving specials tips about some product, this is advertising and should be said. It’s the law! Second, if my tip is really what I think about that product, this is moral! It is ethical! It’s a form of love with the reader. And this we can not lose.

 Agradecimentos:

  • Marco Magoga – pela brilhante disposição das fotos e da inebriante história que elas contam;
  • Fausto R. – per sempre aiutarmi con il suo singolare senso critico quando lo chiedo aiuto;
  • Guarda Municipal – por gentilmente ter participado de uma das fotos deste post.