bloglovin

[PORTUGUÊS]

Da representação da classe social a qual um indivíduo pertencia até ao reflexo de como um indivíduo se vê perante a sociedade, a moda foi evoluindo. E com a evolução, a indústria da moda buscou atender cada vez mais o crescente número de segmentos de mercado.

“Mademoiselle Chanel foi uma inovadora e revolucionária em sua linha. Até então, a costura em Paris era uma arte exercida por poucos iniciados e invejosamente protegida por eles. Eles estudavam e lidavam com os gostos de um grupo comparativamente pequeno de mulheres melindrosas e inteligentes; por isso, a moda demorava a atingir um público mais amplo e, quando isso acontecia, estava completamente desfigurada, irreconhecível. Não havia tal coisa como a estação para determinados artigos, ou moda para outros. A moda era feita pelo que era criado para a adorável condessa tal ou para a princesa não-sei-quê. O individualismo reinava supremo, em detrimento do negócio. Mademoiselle Chanel foi a primeira a atender ao público em seu sentido mais amplo e a produzir um padrão que agradava a todos os gostos, a primeira a democratizar a arte de vestir por razões puramente econômicas.” – (PAVLOVNA, Maria. In: PICARDIE, Justine. Coco Chanel: A Vida e a Lenda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 115)

E foi nos anos 50, intensificado nos anos 60, que os jovens, considerados os formadores de opinião da época, ansiavam por novidades,  por objetos personificados. Não se comprava mais só o que era preciso (isso soa é familiar?), a sociedade foi se tornando mais consumista. Se antes a alta costura era a ditadora de tendências, se antes a moda era focada não em qualquer oferta, mas na oferta dos grandes estilistas que criavam suas roupas para sua clientela específica, a partir dos anos 50 passou a ser a moda das massas, a moda que visava atender a procura destes consumidores frenéticos. Nos 80 e 90, com a ajuda da internet, a difusão da moda se tornou inevitável. Do Norte ao Sul, do Leste ao Oeste, as tendências se massificaram. Já não tínhamos “a roupa do oriente”, “a roupa dos países tropicais”, “a roupa do frio europeu”. Todos podiam viajar o mundo sem sair de seu país só com uma peça de roupa. Da bela Mayumi de Tóquio à interiorana de Minas Gerais Cristiane (oi!), da resistente Ivana de Yakutsk (Rússia) à calorosa Karima da Líbia,  todos nós podíamos ver o que mostravam nas semanas de moda, os filmes, os acontecimentos de diversos países. Todos nós também queríamos possuir algo que algum artista estava vestindo. E onde há a procura, há… dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três… A oferta! Claaaaro que as empresas, sensíveis a esta mudança radical no modelo de consumo, tentaram corresponder as expectativas do público diversificado e hiperconsumista, que queria sentir um pouco do prestígio nas roupas, de forma mitigada pelo valor mais acessível que só o mercado de varejo oferece. Assim, buscando a satisfação mundial dos consumidores, nasce o conceito de fast fashion (foi a mídia que criou o termo). Isto é bom? Sim, muito bom! Finalmente, temos acesso aquilo que antes era inalcançável. Porém, é bom prestarmos atenção a um fator.

Não há dúvidas de que o fast fashion, se não o principal, é o grande agente da moda globalizada. A globalização fez a procura ser generalizada, o que fez com que a oferta fosse igualmente generalizada, o que, por sua vez, abriu margem para a concorrência. Simples: queremos o produto x, todas as empresas identificarão a nossa vontade e venderão o produto x! O produto x de um empresa é muito semelhante ao da outra!! Foi o que aconteceu comigo. Meses depois de comprar um top na H&M (Itália), o vi na Marisa (Brasil)! Com o tecido diferente, mas ele estava lá. Os produtos oferecidos pelos mercados da rede fast fashion, não importa o país, são de fato similares e isso engessa a criatividade! O que dizer das empresas que possui suas sedes em diversos países? Elas vendem o mesmo produto, muitas vezes ignorando o nosso clima, a estação do ano, as nossas peculiaridades. Não temos mais um gosto individual, o gosto é nosso, mundialmente falando! Demos um novo conceito à “busca por novidade” iniciada nos anos 50. Ao invés de estar associado a aquisição de algo realmente novo (um novo modelo, uma nova cor, uma nova padronagem, um novo corte, uma nova combinação), está relacionado aquilo que recentemente foi colocado a nossa disposição nas araras de uma loja. Lembram-se do vestido da H&M que estou vestindo? Tenho certeza que já o viram pela blogosfera… muitas vezes!

“Todos parecem clones e as únicas pessoas notáveis têm a minha idade.”
“Somos tão conformistas, ninguém pensa mais. Todos estamos nos enchendo de coisas, somos treinados para consumir e compramos excessivamente.” – Vivienne Westwood

Cá entre nós, apesar das empresas possuírem departamento de estilo que faz pesquisas ao redor do mundo, criando mais de 1000 modelos para serem confeccionados ao longo do ano, sabemos que ainda temos ditadores na moda, que sucederam o trono do antigo modelo de consumo, onde reinava a alta costura de estilistas renomados, não é verdade? Garanto que não é o Brasil.

 

[ENGLISH]

From the representation of the social class to which an individual belonged to the reflection of how an individual sees himself in society, the fashion has evolved. And with the evolution, the fashion industry sought to attend the increasingly growing number of niches.

And in the 50’s, intensified in the 60’s, the young people, considered opinion leaders of the time, longed for novelty, for personified objects. They no longer used to buy what was necessary (Does this sound familiar?), the society was becoming more consumerist. If before the haute couture was the dictator of trends, if before the fashion was not focused on any offer, but the offer of the great designers who created clothes for their clientele, from the 50’s became the fashion of the variety, the fashion that aimed to attend the demand of the frenzied consumers. Already in the 80’s and 90’s, with the help of internet, the spread of fashion was inevitable. From North to South, from East to West, the trends were massified. We did not have “the clothes from the East”, “the clothes from the tropical countries”, “the clothes from the european cold” anymore. Everyone could travel around the world without leaving their country with only one piece of clothing. From the pretty Mayumi from Tokyo to the countryside of Minas Gerais Cristiane (hi!), from the resistant Ivana from Yakutsk (Russia) to warm Karima from Libya, all we could see the fashion weeks, the films, the events all over the world. All of us also wanted to have something that an artist was wearing. And where there is demand, there is… The offer! Of course that the companies, sensitive to this radical change in the consumption model, the companies tried to answer to the diversified and consumerist public’s expectations, those who wanted to feel a bit of prestige of those clothes, but in a mitigated way by the more affordable price that only the retail market offers. Thus, looking for the global consumer satisfactiond, is born the concept of fast fashion (it was the media who coined the term). Is this good? Yes, very good! Finally, we have access to what was previously unattainable. However, it is good to pay attention to one factor.

There is no doubt that the fast fashion, if not the principal, is the great agent of globalized fashion. Globalization has made the demand generalized, which also has created a widespread offer, which in turn opened up room for competition. Simple: we want the product x, all the companies identify our will and sell product x! The product x of a company is very similar to the other!! It was what happened to me. Months after buying a top at H&M (Italy), saw it at the Marisa (a brazilian shop)! With different fabric, but the top was there. The products offered by the retail markets of the fast fashion network, no matter the country, are indeed similar and this stifles the creativity! What about the companies that have their headquarters in various countries? They sell the same product, often ignoring our climate, the seasons, our peculiarities. We no longer have an individual taste, the taste is global! I think we took a new concept to the “search for new” since the 50’s. Instead of being associated with the purchase of something new (a new model, a new color, a new pattern, a new cut, a new combination), is related to what has recently been placed at our disposal on the racks of a shop. Do you remember the dress from H&M that I’m wearing? I’m sure you’ve seen in the blogosphere … often!

“Everybody looks like clones and the only people you notice are my age.”
“We are so conformist, nobody is thinking. We are all sucking up stuff, we have been trained to be consumers and we are all consuming far too much.” – Vivienne Westwood

Between us, although the companies have styling department that researches around the world, creating more than 1000 models to be confectioned iver the year, we know that we still have dictators in the fashion world, who succeeded the throne of the old consumption model, where used to reign the haute couture of the renowned designers, is not it? I guarantee that is not Brazil.

♣ EU VESTI / I WORE

DRESS: H&M (similar model here)

 
 

 MÚSICA:  Four Seasons – Antonio Vivaldi

 
 

♣ LOCAL / PLACE: Praça Paris, Rio de Janeiro – RJ

– Cri.