Os múltiplos estilos de vida são expressos através do modo de vestir, decorar e ornamentar o corpo, desde a década de quarenta aos anos noventa – todos esses estilos surgiram ao som oriundo das ruas das metrópoles, do jazz ao rock and roll, passando pelo pop, a disco music, ao som techno e suas variações eletrônicas.” (trecho extraído do texto Reinventando a Subjetividade Contemporânea escrito pela  fonaudióloga Diana Galvão no livro A Customização do Corpo)

Tessera Shirt / Mercatto Jumpsuit / C&A Tie / Sonho dos Pés Sandals Boots / Calzedonia Socks / Fendi Bag

Segundo pesquisas, até 1865 africanos e afro-descendentes eram coagidos a trabalhar nas plantações de algodão. E tal matéria-prima era exportada para a Europa, a baixo custo, a fim de que pudesse ser industrializada pelo mercado têxtil. Sem dúvida, os escravos contribuíram diretamente com a moda. Mas esta está longe de ser a única contribuição! Querem saber por que? Vejamos.

Entre os séculos XVII e XIX, esse povo forte cantava e dançava suas tristezas, raiva, saudades de casa, solidão e sofrimentos físicos. Eis que nascem as work songs (canções de trabalho), que possuíam um formato de chamada e resposta, isto é, um líder cantava um verso e os demais escravos respondiam. Isso ajudava a manter a moral e dar um ritmo ao trabalho exercido repetitivamente (aqui está um exemplo). Mais tarde, os escravos foram se convertendo ao cristianismo e as canções começaram a ter influência gospel. E então, vem o Blues! Detalhe que nos campos podiam ser ouvidos gritos e sons de tambores, os quais foram proibidos porque, os senhores temiam que, através das batidas, os negros pudessem se comunicar e incitar rebeliões. Porém, com instrumentos improvisados ou com o próprio corpo, eles conseguiram criar sons de percussão e repercussão.

Então, por intermédio dos andarilhos, o Blues ganhou as cidades, principalmente a cosmopolitana Nova Orleans, uma cidade culturalmente rica. Ele era tocado em prostíbulos, bares ou em qualquer lugar de venda ilegal de bebiba alcóolica (já que entre as décadas de 20 e 30 a venda era proibida). Neste lugares se tinha uma certa liberdade no modo de se vestir (se lembram das melindrosas? Do lindos vestidos de melindre?). Daí, já podemos perceber que a vestimenta era bem diversificada.

E foi do Blues que nasceu toda a história da música: estilos como o Jazz (e as suas várias tradições musicais), o Soul, o Rock  e assim vai…

E foi no início dos anos 20 que os cantores do gênero ganharam sofisticação no vestuário. Se no começo da jornada os escravos se vestiam com trapos, o renomados do Blues adquiriam o glamour clássico. Os homens usavam ternos, boinas, suspensórios e gravatas (no mais clássico black and white), enquanto as mulheres desfilavam com seus belos vestidos.

Ahhh… os anos vinte, CONHECIDO TAMBÉM COMO A ERA DO JAZZ,  ganhou aderência até das mulheres modernas da sociedade branca, as quais perfaziam no seu modo de vestir e no seu comportamento a atitude transgressora daquele ritmo. Os vestidos de cintura baixa tinham um tecido mais leve, geralmente seda, e eram mais curtos: mostravam as pernas, o colo, os braços e as costas. Tudo isto numa silhueta mais tubular, mais reta, livre de espartilhos. Os cabelos eram curtos, acompanhados com belos chapéus. O modelo de chapéu mais usado era o cloche que vinha até a altura dos olhos. As jóias eras falsas, cheias contas e miçangas. A maquiagem começava a ganhar forças: vermelho em forma de coração nos lábios e lápis preto que delineava os olhos. A irreverência musical influenciou inclusive estilistas como os franceces Jean Pateau, Coco Chanel e Jacques Doucet, que em 1927 subiu as saias ao ponto de mostrar as ligas rendadas das mulheres.

Bela época revolucionária que, apesar da crise enfrentada em 1929, deu início ao movimento crescente da música negra, que influenciou a literatura, a sociedade e a moda. E até hoje percebemos isso. Um exemplo? Janelle Monáe, que faz a alegria do mundo da moda pelo seu estilo único dotado de uma rica informação da moda dos anos cinquenta. Graças a essa menina-mulher que veste o guarda-roupa clássico masculino, que tem um grande topete e que ainda é uma cantora vibrante do soul antigo com uma roupagem nova foi que resgatei toda essa parte da história para compartilhar aqui com vocês.

De um início triste (a escravidão, que provoca em mim revolta e lágrimas) à contribuição para todas as culturas, provando que moda e música caminham juntas lado a lado, sim senhor!

Fontes Claudia GarciaTrendências

Beijinhos, °ღ•ѕσяяιη∂σ ѕємρяє°ღ.

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